Nosso destino é cruzar os braços enquanto as máquinas trabalham por nós. Evolução é boa, inovação melhor ainda, mas nada mais triste e enfadonho do que esperar por soluções que tornem o ser humano inoperante e fora do processo. E talvez aí esteja o problema da sua apresentação.
E não poderia ser diferente com apresentações. Já escrevi sobre o Haiku Deck, ferramenta para desenvolver apresentações com um visual que lembra slides apropriados para o Método de Lessig. Originalmente para iPad, agora também possui versão desktop, lançou há uns meses atrás o Haiku Deck Zuru, que promete desenvolver sua apresentação inteira – ou quase isso:
Quando as pessoas comemoraram o nascimento do Prezi, enaltecendo que ele mataria o PowerPoint, Keynote e a forma tradicional de apresentações. Ao menos estavam sendo sinceras. E, principalmente, cientes de que elas continuariam colocando a mão na massa para desenvolverem suas apresentações. E isso é ótimo. Mas reforça o problema da sua apresentação.
E o PowerPoint ou Keynote nunca morreram, a vida é tão legal que permite a coexistência de todas as ferramentas
No caso do Zuru, a pessoa é quase eliminada, pois ele escolhe as fotos através da análise de palavras do slide e até seleciona a melhor paleta de cores a partir dela. Não sou contra a tecnologia existente (escolha/sugestão de fotos de acordo com palavra-chave e identificação/seleção de cores com base em uma fotografia). Mas sou contra a proposta: semi-aposentar o interlocutor de desenvolver livremente sua apresentação.
Nota-se claramente que ele é limitadíssimo em estilos visuais, o que me faz pensar rapidamente em templates (já escrevi aqui sobre o perigo deles, assim como sobre abandoná-lo ser uma das resoluções de 2015) – sério que você ainda está nessa?
Pensando em Direção de Arte. Ele acaba misturando diversos estilos em uma única apresentação pois sua inteligência faz o trabalho por slide. Isto é, se um slide tem tons avermelhados e outro possui tons azulados, ele fará o trabalho cromático individual para cada slide. E podemos declarar o Carnaval fora de época na comunicação em apresentações. Sem contar que a solução mais rápida para aplicar textos é uma faixa grosseira.
O problema da sua apresentação está na falta de criatividade
Investir dinheiro em soluções desse tipo, em tentar dar um olé na necessidade, me faz lembrar de um cartaz que circulou nas redes sociais com os dizeres:
“Você pode fechar um bom negócio sem uma boa propaganda. O seu”.
Substitua “propaganda” por “apresentação” e você entenderá o recado.
Uma das principais características de uma boa apresentação é a dedicação de quem a desenvolveu. Às vezes ela pode não ser tão bela quanto a audiência esperava, ou até mesmo o próprio interlocutor. Mas ela consegue transmitir uma mensagem com resultado e sem qualquer sombra de dúvida. O problema da sua apresentação é falta de dedicação.
No final é você quem faz a diferença. A melhor ferramenta para se desenvolver uma apresentação é seu cérebro e sua dedicação. O resto é ferramenta, coadjuvante na construção da forma como você escolheu transmitir sua mensagem.

