Explicando, lançada em 2018 pela Netflix, é uma série documental produzida pela Vox com episódios lançados semanalmente. Cada episódio tem cerca de 20 minutos e normalmente é narrado por alguns artistas famosos, como Rachel McAdams, Kristen Bell, e até mesmo um ator de Star Trek em um episódio sobre extraterrestres. E essa nova era dos documentários tem tudo a ver com o Motion Design.
O uso de narradores famosos ao invés de locutores profissionais traz um aspecto mais humano para toda a obra. Além da escolha sempre haver algum tipo de conexão com o tema tratado. Ao invés de depender completamente de captações ou entrevistas, os realizadores aproveitam o máximo de explicar visualmente seus temas através do Motion Design.
O mesmo acontece em outras obras da Netflix. Como Patriot Act, apresentada por Hasan Minhaj, um comediante americano. Em cima de um palco com diversos telões, Hasan trata sobre temas complexos envolvendo política, mas com sua linguagem humorística. O diferencial de Patriot Act é que o uso de Motion Design não é aplicado na pós-produção. Assim, as animações são feitas diretamente nos telões, interagindo com o comediante e o público. Portanto, ela foi definida perfeitamente pelas palavras do próprio Hasan:
“(…) a Netflix viu uma apresentação em powerpoint e pensou, ‘E se isso tivesse o orçamento do filme Transformers’?”
Além dos episódios semanais lançados em sua plataforma, a Netflix aproveita para lançar todo episódio também no Youtube. Seguindo assim a rotina de Last Week Tonight, série da HBO premiada no Emmy, apresentada pelo comediante John Oliver. Enquanto Explicando, a série da Vox, teve somente um de seus episódios lançado no Youtube. Mas isso por que a Vox já possui um canal próprio – e muito popular – onde realizam vídeos no mesmo estilo de até 10 minutos.
Netflix acertou colocando motion design em suas séries
O que fez a Netflix acertar imensamente com essas duas séries? Bom, a primeira é priorizar a difusão da informação. A Netflix percebeu que o seu grande trunfo é espalhar o conteúdo de seus episódios e não ter o domínio dos episódios somente para si. Dessa forma, o conteúdo é passado de forma divertida. E, por conta do uso pesado em Motion Design, se torna extremamente acessível. Com legendas, pode ser compartilhado ao redor de todo mundo por todas redes sociais, assim como os episódios do John Oliver também são.
Concluindo: O formato de séries documentais, que antigamente se inspiravam em filmes etnográficos mudou. E parece se distanciar cada vez mais desse ideal e se aproximar de um conteúdo didático de entretenimento para compartilhamento em massa. O Motion Design pode agregar demais a qualquer conteúdo informativo. É uma técnica que, na verdade, é uma grande facilitadora de acessibilidade. E pelos resultados de 2018, seu uso só tende a crescer.

