Cassandra e Heleno eram filhos gêmeos do rei Príamo e da rainha Hécuba de Troia. E certo dia, quando crianças, os dois foram brincar no Templo de Apolo. Eles brincaram tanto que não viram a hora passar e ficou muito tarde para voltarem para casa. Assim, resolveram dormir por lá. Na manhã seguinte, enquanto as crianças ainda dormiam, duas serpentes se aproximaram delas. E quando parecia que elas iriam dar o bote, elas apenas passaram a língua pelas orelhas de Cassandra e Heleno, e os dois saíram ilesos, a não ser por suas audições, que se tornaram tão sensíveis que conseguiam ouvir as vozes dos deuses.
Alguns anos depois, Cassandra se tornou uma bela mulher e uma servidora devota de Apolo. Ela foi tão dedicada que o próprio deus se apaixonou por ela. Apolo ensinou a Cassandra os segredos da profecia. E ela se tornou uma excelente profetisa. Mas, Apolo queria algo em troca, e quando tentou se deitar com Cassandra, ela não quis. Irritado, ele achou que deveria puni-la e lançou a maldição de que jamais alguém iria acreditar nas profecias ou previsões de Cassandra. A moça foi considerada louca, já que tentou alertar a população troiana diversas vezes com suas previsões de catástrofes e desgraças. Mas ninguém acreditou.
O paralelo entre o conto e a publicidade tradicional
Apesar de Cassandra possuir todos os segredos da profecia, ela não conseguia fazer as pessoas acreditarem nela. O mesmo ocorre quando as marcas querem chegar até as pessoas por meio da publicidade que tem uma linguagem e uma abordagem “mais tradicional”. Enquanto muitos publicitários possuem certas fórmulas que usam por anos e as marcas ficam acomodadas a elas, querem fazer do jeito que é certo, que é garantido. E as pessoas estão de “saco cheio” desse tipo de publicidade invasiva e que não tem um conteúdo que interesse grande parte do público que assiste.
Muitas pessoas, atualmente, estão acostumadas a pensar na publicidade como “a mentirinha que quer vender”, muitas até já criaram um certo filtro e, sem pensar, param de prestar atenção quando ela aparece.
E o que as marcas precisam para chegar até as pessoas? Precisam de retórica. Precisam entender seu público e conversar com ele da maneira certa. De forma que o interesse e que o faça acreditar na marca. E o mundo digital pode ajudar as marcas nesse processo. Isso porque nele é possível segmentar e produzir o conteúdo certo para cada público, entender os perfis de pessoas e interagir com eles. Sendo assim, o branded content é sempre muito bem-vindo.
Logo, o que o mito de Cassandra e a publicidade “ultrapassada” têm em comum não é a retórica. Mas a falta dela. O que foi tirado de Cassandra por uma maldição, foi tirado da publicidade pelo tempo. Mas ainda há como reverter, e para isso, as marcas precisam desapegar um pouco do “jeitinho tradicional”, precisam saber como chegar até as pessoas e como conseguir a atenção delas.

