Muitas vezes criamos apresentações que devem transmitir liderança, conhecimento e segurança para o público. Não só o material deve ter as nuances corretas para a transmissão desse tipo de sentimento (acertar na linha do roteiro, na lógica dos argumentos e na direção de arte). Mas principalmente, o não-verbal do apresentador deve ser trabalhado para essa finalidade.
Segundo a Dra. Amy Cuddy, especialista em psicologia social nos Estados Unidos e palestrante do TED (foi lá que eu conheci o seu trabalho). Ao mesmo tempo que devemos aprender sobre linguagem corporal para transmitir as sensações corretas para o seu público, como liderança e confiança, durante sua apresentação. Também devemos aprender a observar como outros oradores trabalham as informações não-verbais durante suas apresentações. Que tipos de sentimentos eles querem nos transmitir?
No caso da transmissão de sentimentos de segurança e liderança na sua apresentação, preste atenção nos dois principais que você deve explorar. Empatia e poder. Exatamente nessa ordem:
Toda vez que assistimos uma apresentação profissional tendemos a julgar o orador através de duas perguntas. Primeiro, “Eu gosto dessa pessoa?”, e logo em seguida, “Eu confio nessa pessoa?”. Perceba que as perguntas seguem o paradigma da empatia (Eu gosto dessa pessoa) e poder (eu confio nessa pessoa). Dependendo da situação da apresentação, esses sinais não-verbais de empatia e poder transitarão em uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que o apresentador emite os dois sinais, também os recebe da plateia, em uma verdadeira queda de braço. Quem garante empatia e poder primeiro, ganha a atenção e uma abertura emocional do público para colocar suas ideias.
Transmitindo liderança na sua apresentação na prática:
Para ser mais específico, note se o apresentador está usando sinais claros de demonstração de poder, se ele for muito expansivo. Tomar espaço e tentar parecer maior do que realmente é indica uma característica animal que ainda temos. Animais maiores têm mais poder. Então gesticular de maneira mais aberta, andar e tomar boa parte do palco farão parte do seu repertório.
Manter a cabeça erguida, sorrir ao falar dos problemas a serem resolvidos, gesticular com precisão e força. Afastar as pernas, colocar a posição dos pés na mesma linha que os ombros mostra força e solidez.
Mas tome cuidado: é mais fácil transmitir poder do que gerar empatia. A transmissão de poder tem uma cartilha, que se for seguida e bem treinada, garante esse sentimento. Mas a empatia precisa da aprovação do outro sobre você. Bem mais difícil.
Quantas vezes você não viu uma apresentação onde achava o orador inteligente e com ótima postura, mas algo dentro de você não te deixava gostar dele. Isso é empatia.
Criar empatia depende de gerar conexões com a sua audiência. Então aposte em um discurso com tom horizontal, como se você falasse com amigos. Nunca se posicione acima do seu público. Tente tirar o máximo de obstáculos físicos entre vocês. Abandone o púlpito e, se possível, desça do palco. Procure argumentar sobre histórias pessoais que não te valorizem, mas que mostrem seus defeitos, valores humanos e sentimentos.
O segredo é saber dosar as medidas certas de poder e empatia sem parecer um super-herói inalcançável, mas também sem ser apenas uma pessoa aprazível, mas que não gera confiança.

