Como explicar as cores para um cego? Uma vez refleti sobre qual seria a melhor forma de explicar um sabor à uma pessoa sem precisar associá-lo a outra comida. Por exemplo, não poderia descrever “amargo” como “sabor igual ao cacau puro”, pois estaria associando a outro elemento, mas sim descrever a essência do sabor. Difícil, não? É complicado explicarmos algo sensorial sem nos basearmos no nosso universo. E isso acontece quando tentamos entender como explicar as cores para um cego.
Imagine você precisar explicar uma cor para um cego, que nunca teve contato com as cores? Foi exatamente essa experiência que Tommy Edison, cego de nascença, fez com as pessoas em um evento. Ele possui um canal no YouTube (pode parecer ironia, mas nem apenas cegos assistem) para compartilhar experiências sobre como é ser cego de nascença. E o vídeo abaixo mostra como foi complicado descrever as cores que ele pedia.
Vídeo Como explicar as cores para um cego:
Vi o vídeo no Update or Die, e gostei muito da análise do autor do post, Fabricio Teixeira (UX Designer): “Interessante que, eliminado o visual, o que resta são os sentimentos, as emoções, o tato e as sensações que você já experienciou através daquela cor”.
Como explicar as cores para um cego e sua relação com as apresentações?
Já escrevi diversos posts falando sobre o uso de cores. E um grande resumo da mensagem que todos eles passam é a forma como as cores nos influenciam psicologicamente. E isso acontece porque temos referência. Experiência de outros momentos onde nosso contato com determinadas cores influenciaram sentimentos, que influenciam decisões.
Seguindo a linha do Fabricio, gosto de pensar que as cores atingem nossos sentimentos. Ou seja, eles são os responsáveis por ativar nossa memória. E, ao final, ser um dos principais motores de cada decisão. E se você aliar com forma e mensagem (óbvio que de forma estratégica e coerente) certamente causará um impacto muito maior.
Outro ponto importante: interpretação cultural. Aprendi com Alex Atala quando ele palestrou em meu evento sobre como é importante compreendermos as diversas perspectivas de um mesmo assunto. A cor branca pode representar paz em algumas regiões enquanto em outras representa o luto. Uma camisa polo rosa masculina pode gerar preconceito em algumas regiões enquanto na Europa é uma peça básica e encarada normalmente. Não existe uma única interpretação e, na hora de escolhermos as cores, é preciso pensar na audiência.
Portanto, a apresentação torna-se mais um exemplo de como o uso das cores não se trata de uma escolha aleatória ou preferência. Mas sim de compreender o destino final da mensagem onde ela estará inserida e alinhar com o objetivo desejado.

