Antigamente maltratavam as apresentações a tal nível que despertaram o ódio da maioria pelo PowerPoint. Seja pela tia que adorava enviar os “pepetês” de gatinho com trilha da Celine Dion. Ou então uma poesia da Cecília Meirelles erroneamente creditada ao Arnaldo Jabor. Seja pelas reuniões nas empresas com slides incompreensíveis que mais confundiam do que orientavam. Até que essa situação mudou com o despertar de alguns criativos que resolveram dar forma às informações das apresentações. Afinal, o que faz arquivos PPT se transformarem em apresentações profissionais?
Mundo perfeito? Quase. Alguns profissionais (e até mesmo agências especializadas) passaram a acreditar que apenas “maquiar” os slides com um bom design era essencial para o sucesso. O que despertou o ódio daqueles que valorizam o conteúdo de uma boa história. Esses, aliás, costumam ser extremistas e odeiam qualquer intervenção artística, pois consideram “uma enganação proposta pelo departamento de propaganda e marketing”.
Apresentações profissionais e as placas de desabrigados na rua
Para compreenderem melhor a situação desse debate, proponho compararmos as apresentações com o projeto Signs for the Homeless. Ele propõe o redesign dos cartazes dos moradores de rua em Boston e Cambridge. Isso com o objetivo de compreender se apenas o design pode ajuda-los a conquistarem seus objetivos. Afinal: design e informação transformam a comunicação. Isso é a base das apresentações profissionais.
A primeira conclusão foi de que os moradores daquela região específica usavam mais mensagens com teor filosófico ou político do que diretamente pedirem dinheiro. O teor humano ajuda, mas e o design? Aí que entra a segunda conclusão: o design aplicado nos cartazes dos moradores de rua despertava a atenção das pessoas. Que naturalmente tendiam a ignorá-los. Até mesmo perguntando a eles aonde havia conseguido aquela placa. As chances de receberem dinheiro aumentavam.

O design é a única solução proposta para uma boa comunicação? Não, a mensagem que você passa é fundamental e de grande relevância. Porém não adianta ter uma boa mensagem se a forma como você a apresentação não desperta interesse.
Voltando para as apresentações profissionais
O mais natural é encontrarmos slides sem qualquer cuidado visual, pois o apresentador aposta apenas na mensagem que precisa passar. Ao invés do extremo, proponho equilibrar conteúdo e design, pois ao contrário do que alguns profissionais pensam (e, graças a Deus, são poucos). O design não é uma alternativa descartável e sem importância, mas sim um pilar tão importante quanto o conteúdo que soma forças na hora de se comunicar (ou então não haveriam diversas agências de publicidade, nem estúdios de design, por exemplo).
Mas tirando as características extremas, o profissional é como um morador de rua. Ele tem uma mensagem a passar e precisa que outra pessoa a “compre” – ou ele repensa sua comunicação e conquista seu objetivo. Ou passará a vida toda se comunicando de forma precária – mesmo que seus slides não sejam feitos de papelão e caneta retroprojetora.

