Vamos ser sinceros. A maioria das pessoas só dão play em um vídeo de treinamento por que precisam. Esse senso de obrigação atrapalha quem está assistindo de realmente se envolver com o conteúdo que está sendo apresentado. Como quebrar essa barreira? Afinal, precisamos fazer com que o público queira clicar no nosso vídeo de treinamento?
A resposta para essa pergunta não é tão difícil de se descobrir. Mas para isso, temos que voltar uns séculos atrás e falar sobre Comenius.
Vídeo de treinamento, Comenius e a Didática Magna
Enquanto as grandes navegações exploravam o mundo, Comenius idealizou o que ele chama de “Didática Magna”. A noção da vasta imensidão do mundo o inspirou a falar de educação e aprendizado em um sentido universal. Assim, respeitando a importância da “brincadeira” e livre aprendizado para todos.
Os anos se passaram e a forma de se educar deu poucos passos para frente. Jeremy Rifkin, econômico e filósofo contemporâneo, se refere às escolas modernas seguindo um modelo de educação de “fábricas”. Por conta disso, o ato de aprender se torna cansativo, desgastante e até traumático para os alunos. Contribuindo portanto para uma visão negativa em relação ao conteúdo didático.
É por isso que se existe uma tentativa enorme de “mascarar” o conteúdo educativo para crianças. O conteúdo didático só se torna atraente se é acompanhado de personagens e historinhas que as entretenham enquanto elas aprendem. No entanto, o público de um vídeo de treinamento, obviamente, é mais inteligente e rigoroso ao que consideram como entretenimento.
O vídeo de treinamento e o entretenimento moderno
Steven Moffat, um dos criadores de Sherlock, a série da BBC, fala que o segredo para o sucesso global de sua série é por ele não subestimar a inteligência de seus espectadores. E isso é verdade. Afinal, Moffat traz mistérios complexos, acompanhados de um enorme aprofundamento em detalhes. E a resolução da história nunca é simples, mas também não é complicada. O que torna a história envolvente, encantadora e ao mesmo tempo, rica em conteúdo.
Então o problema do seu vídeo de treinamento não é que tem conteúdo demais, e por isso a didática é chata. Mas em o que é feito com esse conteúdo. Assim como Rifkin e Comenius criticaram o ensino e a aprendizagem de suas épocas, o problema é limitar a criatividade e reflexão dos indivíduos.
O segredo para o sucesso de vídeos de treinamento é a originalidade. Quem está assistindo o vídeo já sabe que precisa compreender o conteúdo que está sendo passado para elas. E isso a faz pressupor que o conteúdo será bastante didático e, provavelmente, chato como foi aprender na escola e na faculdade.
Mas não precisa ser assim. Surpreender é a melhor forma de passar o seu conteúdo. Não só usar imagens vibrantes, mas se arriscar em contar histórias, fazer referências à cultura pop e até piadas internas da sua área. Explore a criatividade, conte histórias e deixe o conteúdo florescer. E mais importante de tudo: não subestime a inteligência de quem está assistindo.

