Atenção: ser designer não não é saber photoshop! Entenda:
Trabalhar como designer de fato vai muito além dos softwares. Infelizmente muitas pessoas se enganam ao se inscreverem em um curso de Photoshop, por exemplo, com a expectativa de saírem do curso verdadeiros designers ou profissionais da criação – não é essa a realidade. Pois o processo criativo de um designer envolve diversas faculdades mentais do profissional, e o software é apenas uma extensão de suas habilidades.
Lembro de ter aprendido na faculdade matérias como Modelagem, Plástica e Pintura, sendo que eu não pretendia ser “artista”, mas a experiência foi bastante importante tanto por moldar meu pensamento em novas perspectivas (algo comprovado cientificamente) quanto para entender realmente a construção de algo sem ficar dependendo apenas do computador.
Não brinque com sua comida
Dessa forma, é aí que entra Alex Palazzi, designer que vive em Barcelona e desenvolveu uma série de três campanhas intituladas “Do Not Play With Your Food”.



Mais legal é ver o processo criativo: pois ele realmente utilizou os alimentos em questão para compor, concretamente, suas peças. O principal elemento utilizado foi a argila, para moldar as palavras de cada peça, depois ele trabalhou com a textura de cada alimento (sorvete, chiclete e algodão doce).










Apenas depois desta extensa etapa que ele passou para o computador, onde em sua grande parte foi feita a parte de finalização e retoques.
O analógico vs o digital: a discussão do designer
Ele poderia ter feito tudo no computador? Claro que sim, mas trabalhando com o material de forma concreta, com suas próprias mãos, ele também foi aprendendo e captando detalhes visuais quanto à textura, luz e sombra e volumetria. Infelizmente nem todo designer repara nesses detalhes, resultando em criações que você nota rapidamente que está longe da realidade.
Outro exemplo importantíssimo está no design de automóveis, onde o designer trabalha com quilos e mais quilos de argila para moldarem os carros. Em tamanho real. Antes de começarem a produzi-los. Mas por que usam argila se temos tanta tecnologia digital para modelar 3D?
Michael Wayland, repórter da Associated Press, explica: “(…) as montadoras descobriram que eles estavam produzindo veículos sem brilho devido a uma falta de “hands-on” na interação e incapacidade de avaliar efetivamente o styling.”
O tatear manual de um produto faz diferença na hora da concepção. E Wayland continua sua explicação. “Eu ainda acho que há um desejo no projeto que classifica para ser mais conhecimento técnico. Mas a única coisa sobre isso é que você está adicionando o elemento humano.”
Elemento humano e o designer
Elemento humano! Criar é característica humana que vem de paixão. Ninguém cria nada sem sequer um pingo de desejo, de vontade pela concretização do imaginário.
Puxa, mas você está falando de carros, e quem trabalha com design digital?
Lápis e papel. Pare de começar a trabalhar direto no computador. Volte a explorar suas faculdades mentais, sua habilidade manual, seu contato físico com o material.
Se perdermos o fator humano da criação, não teremos nada. A não ser reproduções do mundo real que até podem ser fidedignas. Mas não expressarão nem metade do que um verdadeiro trabalho com paixão pode expressar.
Nada mais humano do que a criatividade.


